Embora os passeios destes dias atrás tenham sido muito bons, senti que estava um pouco perdido. Como é muita coisa para ver, eu precisava organizar melhor os pontos turísticos.
Felizmente ainda no Brasil baixei um aplicativo, City Walks, que sugere passeios a pé pelas grandes cidades do mundo.
Claro, Londres está lá, fui ver as sugestões.
Escolhi o quarto da lista, Harry Potter Trail, que indica locais em Londres usados nas gravações dos filmes do Harry Potter. Tenho sobrinhos, afilhados e amigos muito ligados ao bruxinho, esta então seria a melhor escolha para hoje. Assim terei o que mostrar a eles também. São nove locais diferentes, quase 4 km de caminhada e 2 horas duração.
Certamente entre estes pontos eu acabaria encontrando muitos outros. Acho que é uma boa estratégia.
Bom, vamos lá, pegar o primeiro ônibus de dois andares do dia. O impressionante é que mesmo repetindo o caminho de ontem, sempre há algo novo para ver. Seria capaz de jurar que esta casa/castelo não estava aqui ontem (rs).
Havia lido nos jornais daqui que há muito atropelamento de ciclistas na cidade. Também, olha só como o ônibus em que estou está “grudado” na moça da bicicleta aí na frente. Parece que vai passar por cima dela, é angustiante.
A moça virou à esquerda, ainda bem.
Mais paisagens novas, agora um enorme gramado à direita…
… e também à esquerda.
O bom e velho companheiro de viagens, Google Maps, informa que lugar é este.
É Greenwich Park, bem ao lado do Observatório de Greenwich. Preciso vir aqui algum dia, afinal o meridiano de Greenwich é o fuso horário zero da Terra, não é? Preciso conhecê-lo.
Continuo apreciando a paisagem. Vejo que Londres tem congestionamentos…
… vejo também outra igreja “nova”, não estava aqui ontem :-).
Cheguei ao ponto final do ônibus, Blackheath. Diz a lenda que este nome está associado à grande praga de 1665, também conhecida como Black Death. Nesta época, ainda diz a lenda, os corpos das vítimas eram enterrados em todos os lugares disponíveis da região. Se for verdade, há milhares de corpos sob meus pés. Que sensação estranha!
Bom, deixando de lado este clima macabro, o local é bem bonito. Tem o tradicional comércio de todas as regiões de Londres…
… e também as construções diferentes e antigas.
Peguei o metrô e fui até a estação Charing Cross, uma das mais movimentadas da cidade.
Aliás, foi aqui que estive ontem na hora de ir embora.
Lendo meu blog ontem, minha amiga Biba comentou sobre a sujeira de Londres. Algumas fotos mostram de fato muito lugar sujo, e a Biba pensava que os londrinos fossem mais civilizados.
Talvez os mais tradicionais fossem, mas hoje Londres é uma cidade do mundo, há muito estrangeiro por aqui. Outro dia até comentei com minha mulher, parecia que eu estava na Índia, não em Londres.
Por isso, todo cuidado agora é pouco. Olha só um aviso na saída da estação de Charing Cross.
Civilização aqui parece cada vez mais longe.
Só mais um comentário sobre a educação. Eu estava praticamente sozinho no andar superior do ônibus de agora há pouco. Lá havia uma pessoa lendo seu Kindle e mascando chiclete. Mascava de boca aberto e fazendo um barulho tão alto que incomodava. Incomodava muito, a ponto até de me dar ânsia de vômito. E olha que não ligo muito para isso, para vocês verem como o cara era mesmo mal educado.
Voltando às coisas interessantes de Londres, ontem mostrei um taxi preto, achei que fosse a cor oficial. Mas não, há taxi de tudo quanto é cor.
Já estava quase chegando à primeira locação do Harry Potter quando uma igreja chamou minha atenção
Até parecia uma igreja normal, mas olha só o que há do lado dela, e que também é da igreja.
Tenho usado outro aplicativo muito bom, o Trip Advisor. É um dos melhores para viagens! Entrei nele e com a ajuda do GPS do celular, descobri que a igreja também oferece salas de reunião, espaço de eventos, restaurante, loja e muito mais. Place of peace and welcome, está escrito em uma placa no local.

O aplicativo mostra um concerto gratuito programado para 1h da tarde. Ainda falta muito tempo, mas quem sabe eu apareço, afinal é uma oportunidade e tanto conhecer um evento de música clássica na terra da rainha.
Pensando bem, é uma opção bem inteligente oferecer vários serviços em uma igreja. Ela precisa sobreviver, por que não usar os espaços disponíveis? Assim, junto com a igreja propriamente dita…
… há os outros espaços nesta aqui.
Já pensou, um excelente lugar para minhas aulas. Tem até salas para isso.
Chega de igreja diferente, fui para o primeiro local usado como locação do Harry Potter, Goodwin’s Court.
Não lembra mesmo o filme?
É por aqui que o Harry passa para entrar no Beco Diagonal.
Tem que lembrar, porque foi aqui mesmo a filmagem. Goodwin’s Court é uma passagem estreita feita ao lado do número 55-56 da St. Martin’s Lane. Construída em 1627, as portas e janelas típicas são daquela época. Ainda há três lampiões de gás iluminando o caminho.
Claro, andando a fantasia acaba, hoje vemos mesmo é lojas…
…e escritórios!
Vamos para outro ponto do filme.
Que bom, deu certo minha estratégia. Já havia visto a Igreja de St. Martin-in-the-fields, agora estava na frente de um dos maiores teatros de Londres, o London Coliseum.
A caminhada continua, cheguei ao Covent Garden. Um dos mais badalados de Londres, tem teatros, lojas, bares, restaurantes, artistas de ruas e a Royal Opera House – que devo visitar em algum dia mais adiante.
Cheguei então o segundo ponto de locação, o Covent Garden Market. É um mercado mesmo, com seus primórdios (bonita palavra, hein?!?) em 1632. Em todos estes anos, o mercado já foi fechado, reaberto, contestado, xingado e amado. Foi finalmente reaberto em 1980, hoje atrai anualmente 30 milhões de visitantes!
Frutas e verduras frescas são trazidas das fazendas todas as 5as. e sábados. Olha ai, pai, parece a feira do produtor de Franca (rs)!
Em um dos filmes, Harry Potter aparece andando em Londres, justamente aqui neste mercado.
Até uma cantora tem.
Cantora lírica, estava cantando uma música da Sarah Brightman SEM MICROFONE. Eu ouvi da rua, fiquei arrepiado quando escutei. Ao terminar, confirmou que estava mesmo sem microfone, que não recebia para cantar lá e que doações seriam bem vindas. Não aguentei, depositei minha contribuição, afinal a moça é um show.
Em outra área ao lado, uma grande panela chamou minha atenção, era uma enorme paella.
Nem gosto muito, mas estava muito bonita, era meio-dia, fui lá e comprei.
Não tinha lugar para comer, as mesas estavam lotadas. Lembrei que vi uma igreja na frente do mercado, fui lá procurar lugar para sentar.

Era a St. Paul’s Church…

… com uma bela área lateral.

Foi aí que eu almocei, sentado confortavelmente.

Eu e muitas pessoas mais, foram chegando depois! Aos poucos!
Para não ficar chato, fui conhecer a igreja assim que acabei o almoço.
Olha que aviso interessante na porta: “ande calmamente, fale tranquilamente, pense profundamente, reze com muita fé”.
Inspirada, não?
A igreja tem até fonte na saída.
Bom, a verdade é que alguém poderia pensar em uma solução para esta água saindo para tudo quanto é lado.
Se não bastasse o Covent Garden Market, há outro – e do lado – o Jubilee Market Hall.
Este tem cara de Peruíbe, não tem?
Melhor sair das feiras e feirinhas, vamos ao próximo ponto de locação do Harry Potter. Para minha surpresa, aparece mais uma Apple no caminho.

Não resisto, tenho que entrar.
É uma Apple em um casarão bem diferente, típico de Covent Garden, com paredes altas, tijolos aparentes e bem antigos.
Saí da Apple e lembrei da primeira igreja que vi, a St. Martin-in-the-fields. Haveria um concerto lá às 13h, faltava 15 minutos, eu poderia chegar a tempo. Fui correndo.
Foi um belo espetáculo, era um grupo austríaco chamado Trio Frizzante. O nome frizzante fez justiça ao show, as músicas – mesmo clássicas – contagiaram todo mundo. Os próprios músicos sorriam, faziam gestos com as mãos e os corpos, dava para sentir que a música mexia com eles. Valeu o show!
De volta à caminhada, mais um edifício impressionante. Era o Hotel Savoy.
Cheguei ao terceiro ponto, o Lyceum Theatre.
Embora tenha existido outro teatro chamado Lyceum nos idos de 1765, este aqui foi construído em 1834 – estava tudo escrito no aplicativo que indicou o passeio de hoje.
Os dois anos que aparecem nas paredes laterais indicam datas significativas na história do teatro. 1834 foi o ano de sua construção, 1996 foi o ano em que ele foi completamente restaurado e entregue à cidade, depois de ter sido até ameaçado de demolição.
O aplicativo de turismo diz que Harry Potter passou por aqui em um dos filmes em que ele circula por Londres.
Vamos ao quarto ponto de locação. Ainda bem que este é bem perto, Somerset House.
Somerset House é um grande edifício com 55 fontes funcionando, sua construção terminou em 1776-96.

Depois de um tempo, como se já não fosse grande o suficiente, duas construções laterais no estilo vitoriano, as asas norte e sul, foram adicionadas ao prédio principal.

Meu aplicativo informa que o local foi usado em um dos filmes. Não consigo lembrar qual, alguém lembra? Mariana? Bruno? Lucas? Danilo? Thiago?
Com tanto lugar para ver, perdi a noção do local em que estava. Pedi ajuda do Google Maps, percebi que o lugar ficava bem ao lado do Tâmisa. Somerset House é tão grande que é impossível ver o rio atrás.
A tela do Google Maps mostra exatamente onde estou, sou o pontinho azul.
Do lado direito, mais uma cena do difícil trânsito de Londres.
Que bom, eu estava andando, nem me incomodei com tantos carros e ônibus (rs).
Vamos para a quinta locação. Mas o problema é Londres, sempre há muito o que ver. Andando um pouco mais à frente, ainda fazendo parte da Somerset House – acreditem – aparece uma escola, a King’s College London.
Sempre quis conhecer uma escola no exterior, então entrei!
Tem até capela, aliás uma das mais bonitas que vi até agora.
O que encontrei também foi um restaurante dos estudantes. Entrei para conhecer! Vi a comida, vi as horas, senti a fome – afinal, eu havia comido só uma pequena paella há quase três horas – então… resolvi almoçar novamente!
Entrei na fila e peguei um belo prato de linguiça, purê de batata e um molho delicioso.
E fui para uma das mesas, bem no meio dos estudantes.
Talvez eles até tenham achado que eu fosse um dos professores. Ou não, já que eu estava de boné e mochila. O bom de cidades como Londres é que a liberdade é total, ninguém se incomoda com o que os outros fazem. Almocei tranquilamente.
Ainda aproveitei para passear um pouco mais pela escola. Vi uma indicação do que havia em cada um dos andares …
… e também fotografei uma aula pela janela da porta.
O professor estava todo entusiasmado, gesticulando, mas os alunos estavam largados, conversando, olhando celulares. Acho que é assim em qualquer lugar do mundo.
Saindo da escola, bem pertinho, achei o quinto ponto do filme, Roman Bath.
Uma pequena viela – dá um pouco de medo…
… leva à sala de banhos romanos.
Entrei, fui ver o que havia lá.
Estava fechado, só dava para ver a janela. O aplicativo diz que o local ficou famoso depois de ter aparecido em um dos filmes.
A próxima locação é fantástica, o Banco Gringotes. Sim, estava bem ao lado. Hoje é a embaixada da Austrália, só dá para fotografar do lado de fora. Visitas são permitidas em um único dia do ano, que infelizmente não era hoje.
Já que podia fotografar do lado de fora, vamos lá.
O sétimo ponto ficava do outro lado da rua, St. Clement Danes Church. O aplicativo diz que aqui há a Trilha dos Ratos. Não sabia exatamente o que fazer, então fui entrando e fotografando tudo.
Nada me lembrava o filme, quem sabe esta escadaria da última foto acima representasse algo. Como não tinha certeza, desci até a cripta da igreja. A placa informava que pessoas eram enterradas aqui antigamente. Eu, hein?!? Mas desci assim mesmo.
Confesso que não encontrei a trilha dos ratos, talvez alguém que conheça os filmes melhor do que eu possa ajudar.
Para chegar ao oitavo ponto, tive que passar por uma rua minúscula. Acho que se a Cecília estivesse comigo, iria querer passar por outro caminho.
Acabei saindo na margem do Tâmisa, até vi a London Eye de longe.
A oitava atração era a Blackfriars Bridge, bem sobre o Tâmisa. Eu estava indo em direção ao lugar certo…
…mas ninguém é de ferro, achei um banco e descansei um pouco.
É uma ótima sensação ficar sentado em um banco às margens do Tâmisa, olhando a ponte ao fundo.
De volta à caminhada rumo à ponte, uma construção enorme chama minha atenção.
O Google Maps, mais uma vez, esclareceu: aqui fica a Unilever.
Olha a Unilever aí, Teresa e Sonia.
Blackfriars Bridge estava chegando. É uma ponte com 280m de comprimento e cinco vãos de sustentação, recebeu este nome por conta de uma ponte antiga próxima a um convento de frades (“friars” em inglês). Diferentemente de roupas marrons, comuns aos frades, estes usavam roupas pretas, daí os black friars.
Interessante notar as esculturas de pássaros feitas em pedra nos pilares de sustentação da ponte. Do lado oeste da ponte, são pássaros fluviais …
… do lado leste pássaros marinhos.
Esta diferença serve para lembrar que o Tâmisa é um rio tanto de água doce quanto de água salgada. E corre do oeste para o leste, do rio para o mar.
O aplicativo não diz como a ponte esta relacionada ao Harry Potter. Será que foi naquele filme em que uma ponte de Londres é destruída?
Vamos continuar andando, agora em direção ao último local usado para os filmes. Na minha opinião, um dos melhores, veja a seguir.
Bem ao lado da ponte, há pilares de uma ponte demolida. Era uma ponte ferroviária antiga, serviu de modelo para a Blackfriars Bridge. Logo depois desta estrutura vermelha, aparece a ponte ferroviária atual – aquela em que estive ontem para pegar o trem para a casa em que estou.

O cuidado com o Tâmisa é enorme, olha só na foto um serviço de limpeza do rio.

Não é à toa que ele já foi poluído e agora está limpo. Não pensem que limpo significa águas cristalinas e sem sujeira. Há muito lixo, afinal já falamos que os londrinos não são mais os mesmos. Mas o fato é que a água está despoluída.
As pessoas aqui gostam bastante de andar. Andam ao lado do rio…
… sobre as pontes…
… em ruas com muito trânsito …

… e até embaixo das pontes.
Também pudera, com o trânsito desta cidade, caminhar é a melhor solução. É por isso também que o número de ciclistas é enorme por aqui.
Para um turista como eu, andar é muito bom, é uma oportunidade para ver construções diferentes. Algumas bem antigas e outras muito modernas. O detalhe é que todas as fotos desta sequência desde que saí da Blackfriars mostram uma região muito pequena, foram umas 3 ou 4 quadras só. Londres realmente tem muita variedade de lugares!
Cheguei ao nono e último ponto do passeio. Foi o mais emocionante, meu coração até disparou: o Beco Diagonal.
Só quem viu mesmo o filme, e tem sobrinhos e afilhados que amam o Harry Potter, é que consegue sentir esta emoção. Eu parecia estar mesmo dentro do Beco Diagonal. A sensação é muito forte!
Alguns críticos dizem que o local não lembra exatamente o Beco, mas isso é porque são “trouxas”, não conseguem enxergar tudo que há lá (rs)! Para quem não assistiu os filmes, “trouxa” é todo aquele que não é bruxo.
Foi uma maratona e tanto hoje. Andar pelos pontos usados no filme deu a chance também de conhecer um pouco mais de Londres, só que de uma forma mais organizada. Era exatamente o que eu queria para hoje.
O dia foi tão bom que fiquei pensando, “será que ainda há mais alguma coisa para ver por aqui?”. Abri o Trip Advisor, o aplicativo que mostra atrações baseado no GPS do celular, e vi muitos pontos: museus, galerias, lojas. Eu já havia visto muita coisa, queria só mais uma que terminasse o dia com chave de ouro: algo grandioso e diferente. Achei!

Ficava ali do lado, olha só que contraste: uma igreja antiga, pequena, e uma construção enorme, diferente. Muito diferente, parece um foguete. Mas os londrinos o chamam de “pepino”, ou “The Gherkin“, que é a tradução de pepino para o inglês.
O 30 St Mary Axe, ou Gherkin, é um arranha-céu construído entre 2001 e 2004 e é a sétima maior estrutura de Londres. Pertence à seguradora suíça Swiss Re.
Aliás, esta é uma região repleta de construções gigantes e modernas. Lembra um pouco os enormes edifícios de Manhattan ou, em menor escala, os da Berrini em São Paulo.
Ah, para facilitar as fotos, o The Gherkin tem uma réplica feita em Lego.
Terminou o dia cheguei em casa. Acabei encontrando o outro gato que mora na casa em que estou, o Tom-Tom.
















































































































lugares fantásticos, belo passeio, mas tenho que te falar vai voltar mais gordo heim, tá comendo muito rs.
Abraço
Claudio, do jeito que estou andando aqui, talvez eu volte até mais magro. E com uma corzinha, já que – felizmente – o sol está aparecendo todos os dias. Um abraço grande!
Que emoção !!!!!
Harry Potter!!!!!!
Ficaria o dia inteiro por lá……
Como assim ? Entrou na escola e ninguém parou você? Estranho….
Com tanto terrorismo ….
Não acho legal não.
Aqui tem mais “segurança” nas escolas….
Saga Harry Potter, muito legal mesmo! Além de mostrar a bela arquitetura, esse blog tem uma parte histórica bem interessante! Sabe tudo! rs Isso sem contar com a parte gastronômica.. aliás, confesso que fiquei com vontade de comer aquela paella… rs