Pois é, este destino eu não esperava. Para ser franco, nunca havia ouvido falar de Aranjuez, foi lendo o Ricardo Freire – especialista em viagens – que fiquei sabendo. Mais exatamente, ele falou do Palácio de Aranjuez.
Aranjuez
Ele até sugeriu a viagem em um trem tipo nossa Maria Fumaça, mas neste trem antigo são poucos dias por mês. Por uma ironia do destino, um destes coincidia com minha viagem, mas estava uma chuva só. Então vou de trem comum mesmo, o Cercanias.
Embora mais simples, é um trem para cidades vizinhas a Madrid, funciona muito bem.
Tem até painel indicando destino, tal como os outros que peguei para Toledo e Segovia.
A estação ferroviária em Aranjuez já prenuncia uma boa visita hoje.
Vejo no Google Maps, são apenas 15 minutos de caminhada.
Palacio de Aranjuez
O Palácio parece enorme, estou ansioso para entrar.

Vou direto para a bilheteria comprar o ticket, entro quase correndo (rs). Um pouco é por ansiedade, outro é para fugir dos turistas que normalmente chegam um pouco mais tarde.
Que beleza o páteo interno.
Vou me aproximar para fazer algo que tenho feito em outras visitas.
Estou começando a desenvolver um gosto especial por portas, geralmente estas nos castelas – e também nas igrejas – têm detalhes que valem o registro.
E por falar em registro, entro no Palácio e já recebo a notícia, fotos são proibidas. Fico inconformado, tanto que aproveito o ligeiro descuido da funcionária e fotografo rapidamente a escadaria – que é linda!
Para minha surpresa e vergonha, havia outra vigiando no lado oposto da escada e já foi gritando caballero, no foto. Passei o maior carão.
Já que é assim, não vou comentar minha visita ao Palácio. Mas este não será um problema, li em algum lugar que o que impressiona muito em Aranjuez são os jardins do Palácio.
Então, saí da visita – que, cá entre nós, é mais do mesmo – e já fui ver a praça em frente à entrada, a Praça Elíptica. É fácil descobrir estes nomes porque o local é bem sinalizado.

Como a praça é muito grande, não sei se a foto mostra seu desenho elíptico.
Acho que não, então vou afastar um pouco mais pela lateral …
… e também pelo fundo.
Falando em fundo, viro ao contrário e vejo um grande corredor de acesso ao Palácio.
Puxa, que mal aproveitado. Em Versalhes, este corredor foi muito bem cuidado e dava uma sensação de infinito quando combinado com o acesso ao Palácio. Talvez aqui tenha sido aqui naquela época, mas hoje não é. E poderia ser!
Aquela placa de orientação que mostrei há pouco está longe, então tento entender no Google Maps o que há na região.
À direita de quem sai do Palácio parece haver um grande jardim, vou lá!
Nossa, que capricho. Só que não consigo atravessar o rio para ver o jardim, terei que dar a volta no Palácio. Muito bom, vou aproveitar para rever, agora com calma, o portão de acesso…
… uma torre de canto …
… e a porta principal de entrada.
Contornar o Palácio é um exercício, é bem grande.
Vou caminha sob estes arcos para ver como é.
Do lado do Palácio há outro prédio enorme com layout até bem parecido com este em que estou agora. Nele os empregados faziam seus trabalhos.
Viu só como o layout é parecido?
Hoje o local já está ocupado com atividades ligadas ao turismo. Por exemplo, vejo um restaurante neste ponto.
Opa, parece que dá para ver o páteo interno deste prédio.
Vou entrar!
É um espaço e tanto!
Vejo uma família saindo, é um casal, criança de colo e até um cachorro. Vão para um lado do páteo em que estão estacionados vários carros.
Aparentemente este prédio hoje é usado como moradia. Vou aproveitar que a família saiu (rs) e chegar mais perto do que talvez seja a casa deles.
É, bem acabado. Se bem que do outro lado parece que houve uma bela restauração.
Bem, vou circular mais uma vez por fora deste prédio antes de continuar o passeio.
Jardín del Parterre
Cheguei ao jardim atrás do Palácio, é o chamado Jardin del Parterre. Logo na entrada, a Fuente de Hércules.
É a fonte de maior destaque no jardim, esculpida em 1827. Representa Hércules agarrando Anteo com seus braços fortes asfixiando até morrer.
Até na base, a estátua é muito bem trabalhada.
Aqui aparece Hércules criança lutando com uma serpente.
Na sequência vem a Fuente de Ceres, que está bem distante, já que o jardim é enorme!
Sabe o que tenho vontade de fazer aqui? Então, uma selfie.
Deixando a modéstia de lado, afinal a foto ficou muito boa – incluindo o modelo – vamos continuar apreciando a fonte.
Ceres é a deusa da agricultura, colheita e fecundidade.

Junto a Ceres, dois meninos brincam com trigo e com uma cornucópia, símbolo de abundância. (Cornucópia é um termo que não via há muitos e muitos anos.)
Chega de olhar as fontes, vamos passear pelos jardins.
Olha só que grata surpresa, um madroño, a árvore símbolo de Madrid.
Falei sobre esta árvore aqui no dia em que fotografei a estátua del oso y el madroño na Plaza Puerta de Sol. Naquele post disse que não sabia a tradução do nome da árvore, madroño, e continuo sem saber. Toda a explicação detalhada na placa me leva a crer que não temos uma correspondente no Brasil.
Continuando, mais uma fonte …
… e a tradicional foto de noiva em locais públicos que sempre vejo nas viagens. Só que agora nem é noiva, é uma criança. Não consigo entender o motivo do vestido, mas não posso desperdiçar a chance de foto.
Jardín del Rey
Bem ao lado do Palácio, algo que se parece com um canto na área externa, o Jardin del Rey. É um jardim mais fechado, adornado com várias estátuas. Ah, e é muito bonito e bem feito.
Duas últimas fotos do Jardín del Parterre antes de ir ao próximo jardim. Pois é, há alguns deles. O que é muito bom!
Jardín de la Isla
O Jardín del Parterre fica atrás do Palácio, o Jardín de la Isla ao lado. Chama-se isla, ilha em espanhol, porque o Rio Tejo – nas terras de Espanha, é conhecido como Rio Tajo – tem um desvio bem ao lado do Palácio, formando a tal ilha.
Muitas palavras, melhor usar uma imagem.
Então, o rio que vimos até agora nem é o Tajo, mas um braço dele.
O Jardín de la Isla começa também com uma fonte, mais simples do que a do Parterre.
O corredor de árvores que vem depois é impressionante.
Felizmente, sempre há boa sinalização para melhor entendimento da região.

Antes de entrar definitivamente, vamos olhar para trás mais um pouco.
Este sim é o Rio Tajo. Se olharmos o mapa que acabei de mostrar, é exatamente aqui que começa o pequeno braço do rio que vimos nas fotos iniciais dos jardins.
E aqueles pontos brancos na barragem? Gansos!
Bem ao lado do Palacio, uma ponte pequena sobre o braco do Tajo.
Olhando para os lados, sempre há uma fonte no jardim.
Voltando mais uma vez para as margens do braço do rio – não quero sair, é bonito aqui – há uma bela de uma cascata artificial, a Cascata de las Castañuelas. É o que este casal está vendo por cima…
… e eu vou dar a volta para ver pela frente.
Há muitos peixes por aqui, olha um.
Vamos então entrar de vez no Jardín de la Isla. O Google Maps já adianta as fontes que estarão no caminho.
Vamos chegar perto da primeira neste corredor.
Esta nem havia aparecido no Google Maps, é a Fuente del Niño de la Espina.
Foi uma grata surpresa, porque vi uma réplica desta estátua lá dentro do Palácio. Vou dar a volta para enxergar melhor o espinho no pé do menino.
Nos cantos, estátuas de harpías, que segundo a mitologia grega – informa a Wikipedia – eram seres com aparência de belas mulheres aladas.
Há muitos e muitos corredores por aqui.
O conjunto todo forma La Galeria.
Há um obelisco…
… e canteiros floridos. Bem floridos!
O Google Maps mostra as duas próximas fontes.
Primeiro, Funte de Baco…
… depois Fonte de Neptuno.
Cheguei ao fim do Jardín de la Isla. Um pouco mais à frente, o braço do Tejo junta-se a ele novamente, vou lá ver.
É, este é o Tejo, mas a vegetação excessiva não deixa ver a junção. O máximo que consegui ver foi um portão secundário de acesso. Por que fotografei? Porque até um portão simples é rico em detalhes.
Agora é voltar ao inicio do Jardín de la Isla.
Jardín del Principe
O guia de Aranjuez que baixei em meu celular mostra as estátuas deste novo jardim em que estou.
É a Fuente de Narciso.
O belo Narciso aparece junto a seu cachorro.
Na base, quatro robustos Hércules dão o apoio necessário.
Estas cabeças já apareceram em outros lugares, tentei achar o significado e não consegui. Bem, mas só a foto já vale.
Esta é a Fuente de los Cisnes, aqui meninos seguram um cisne.
Fuente de Apolo. (Parei de detalhar as fontes, senão este post ficará maior ainda do que já está … rs)
O Google Maps mostra o Estanque de Los Chinescos.
Estanque significa lago e chinesco quer dizer uma série de objetos pendentes.
Vou contornar o lago.
Há uma árvore absurdamente grande ao lado do lago, fico imagino quantos anos ela levou para chegar a este tamanho.
O mapa de Aranjuez que tenho em meu celular direciona meus passos, estou indo agora para a Casa del Labrador, uma das residências da família real.
Nem precisava dizer que era residência de reis.
Este é apenas o centro da casa. Há ainda o lado esquerdo …
… e o direito.
Preciso chegar mais perto.
Foi uma caminhada e tanto, mas vejo agora algo que veio a calhar. Vou mostrar.
Deu para perceber o que gostei? Está no canto direito da foto.
É, um banco, é tudo o que preciso agora. além de comer um lanche que está em minha mochila, fico apreciando a natureza.
A cidade de Aranjuez
Não vou ficar só no Palácio e nos jardins reais, a visita para ser completa precisa incluir também a cidade de Aranjuez. Felizmente o guia turístico que baixei é bem completo, lista os pontos que não posso perder.
Já que é assim, vamos para a cidade.
No caminho, bem ao lado do Jardín del Principe, casas de agora que nada devem para a realeza do passado.
Parece uma cidade boa Aranjuez, a janela dos prédios mostra uma vida normal, do dia a dia.
Claro, algumas ruas e casas são mais bonitas que outras.
Chego ao primeiro ponto apontado no guia, Iglesia de Nuestra Señora de las Angustias.
A igreja está fechada, vamos andando.
Que calmaria nesta cidade. É que hoje é feriado aqui, dia de San Isidro. Acredito que em dias normais o movimento seja maior … ou não, vai saber.
Gosto de sempre conferir no Google Maps o lugar em que estou.
Aranjuez é uma mescla de prédios antigos, alguns muito antigos e outros bem atuais.
Opa, parece que aqui dá para entrar.
Um aviso informa que esta é uma área particular, a entrada é proibida. Ah, mas só vou dar uma olhadinha rápida.
Ainda bem que entrei, escadas bem antigas.
Há um páteo mais interno. Já que não podia entrar aqui, vamos entrar só mais um pouquinho (rs).
Vamos caminhando.
Ruas antigas, com comércio adaptado aos prédios de outrora.
Opa, mais um lugar que dá para entrar. E os azulejos que estão na porta são um convite.
Aqui não está escrito que a entrada é proibida. Se não é proibida, deve ser permitida.
Ninguém apareceu para impedir minhas fotos ou entrada. Eu continuo!
Puxa, acho que vou subir no primeiro andar.
Muito bem preservado o local.
Bem, espaço visto, vou descer e continuar. Aproveito para apreciar mais um pouco aqueles azulejos.
Vou continuar a caminhada, há muito a observar por aqui.
Sei que minha esposa Cecília não vai gostar, mas aqui também tem a Plaza de Toros. Mesmo sendo contra como ela, como já disse em um post de Madrid sob o mesmo tema, aqui é um ponto turístico, vou só registrar.
Vejo que o mundo está cada vez mais globalizado mesmo. Sabe as pessoas no Brasil que saem para comer ou beber algo e ficam no celular? Pois é, aqui também!
Estes dois casais estão bem na Plaza de Toros. Vou fazer até um exercício extra de observação, nos próximos 10 ou 15 minutos, vou ficar de olho nas pessoas que só ficam no celular. E mostrar aqui.
Enquanto isso, o passeio continua! Em uma esquina, um prédio mais atual.
No lado oposto, um grande contraste.
Agora vejo dois prédios velhos e bem restaurados. Olha as janelas.
Essa quero chegar mais perto!
Esta é a prefeitura de Aranjuez.
Que prédio histórico bem conservado. E do outro lado da Plaza de La Constitución, o Mercado de Abastos.
Comentei há pouco que hoje é feriado, o Mercado está fechado. Por sorte, as bancas estão fechadas, mas vejo gente entrando. Vou entrar para ver.
Bonito! Funcionando deve ser muito mais!
Ah, não esqueci de minha pesquisa. Olha o casal aí!
Mais uma mocinha e outro casal ao lado, todos na praça do mercado.
Pronto, chega, meta cumprida. Afinal, este blog não é para ficar implicando com estes europeus que insistem em olhar mais o celular do que o mundo que os cerca (rs).
Até porque, olha só como é Aranjuez, mesas espalhadas em calçadões para quem quer viver bem a vida!
Acabei a visita pela cidade, estou chegando novamente na área do Castelo.
Real Capilla de San Antonio e Casa de Infantes
Lembro quando passei em um ponto oposto deste prédio e vi estes mesmos arcos.
Confiro no plano gravado em meu celular…
…vou passar agora em frente à Real Capilla de San Antonio.
Bem lá na frente está a Fuente de la Mariblanca. Olha como está longe, a praça é mesmo enorme.
À esquerda de quem vai para a estátua, um prédio que até visite o páteo no início do dia, aquele em que os funcionários faziam seus serviços.
À direita, o prédio com os arcos que vimos há pouco. Nem olho no celular para saber o que é, a placa indica Casa de Infantes. Detalhe, o século é o XVIII.
Estou vendo que aqui também há um restaurante.
Outra coisa que vi é um acesso ao páteo da Casa de Infantes, vou entrar.
Uma foto do lado esquerdo…
… outra do direito.
Jardín de Isabel II
Da lista de jardins reais, havia faltado um. Aqui está!
Adivinha de quem é esta estátua?
A própria, é da Isabel II, certamente!
O jardim é bonito, mas nem se compara ao Jardín del Parterre, o melhor de todos.
Saindo do jardim, olho para trás e vejo o quão longe já está a Real Capilla de San Antonio.
E bem na frene do jardim da Isabel II, a Fuente de la Mariblanca.
No caminho para a estação de trem – sim, já está na hora – as últimas fotos do local.
Ah, tem mais um prédio que preciso mencionar, Palacete de Silvela.
Vamos a uma história familiar curta. Isabel II era casada com Francisco de Asís de Borbón, este por sua vez tinha o primo Adalberto de Baviera. Pois é, o marido da Isabe II mandou construir esta casinha para o primo dele. Só isso! Tanto que a princípio o nome era Palacio Baviera, o sobrenome do pobre primo! Coisas da realeza.
Depois dessa, só mesmo voltando para Madrid.
Até mais!































































































































































































Oi Nando, dois dias sem ver novas imagens é muito tempo. Para compensar as de hoje como sempre muito lindas…
Sabe de uma coisa, eu tenho mania de fotografar portas e corredores compridos, então empatamos nessa.
Conversei com a Cecilia, hoje e ela me contou que você já está em Barcelona, nossa até me arrepia o que você vai ver por aí ou melhor já está vendo.
Divirta-se e como empre mande lindas fotos
Oi, Tia Elisa. Tenho colocado imagens novas todos os dias. Estou um pouco atrasado, mas sempre mostro várias fotos e seus comentários. Barcelona é completamente diferente de Madrid, parece até que estou fazendo outra viagem.
Muito simpática esta cidade, pena que não pude ver o castelo, que eu amo…
Lindos jardins…
Gostei!
Besos
Lindas fotos. Aproveitando mesmo. Amei
DirCelia, algumas fotos têm me deixado até emocionado. E fazer fotos boas até que tem sido fácil, Madrid tem colaborado muito!
Bem charmosinha essa Aranjuez, valeu a pena a visita!
Se eu trabalhasse em Madrid, talvez considerasse seriamente a possibilidade de morar em Aranjuez.